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Domingo, 10 Fevereiro 2019 01:50

Sem manutenção, Arena Pantanal vira abrigo de moradores de rua



FONTE: MÍDIA NEWS - Por: Bruna Barbosa

Governo alega falta de recursos para reparos; estádio está tomado por lixo e matagal

Latas de lixo tombadas, madeiras soltas, matagal, água parada - que serve de criadouro de mosquitos - e caramujos africanos: este é o cenário atual da Arena Pantanal, localizada no Bairro Verdão, em Cuiabá. Apesar dos R$ 4,8 milhões destinados a manutenção do estádio em 2018, o local segue sem reparos básicos.

A manutenção é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc), porém, por falta de recursos, a Pasta está arcando apenas com tarifas de água e energia elétrica. A assessoria não informou há quanto tempo os reparos não são feitos.

Conforme nota enviada pela Secretaria, a reforma administrativa no Executivo passa a responsabilidade das manutenções do estádio à Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer (Secel).

Em meio ao abandono patrimonial, cresce também o abandono social. Embaixo de uma passarela nos fundos do estádio, colchões, vasilhas de plástico, lençóis e roupas espalhadas mostram que alguém vive por ali.

"Moradores" da Arena

Estefani, de 19 anos, e João, 49, se conheceram durante a jornada nas ruas. Os dois, que preferem não ter os sobrenomes divulgados, dividem um colchão extremamente fino e velho há um ano no estádio que custou mais de R$ 600 milhões.

“Vou dar esse aqui para você de presente. O resto vou vender, assim consigo um pouco de dinheiro”, disse bem humorada, enquanto estendia a mão com um anel e mostrava uma sacola cheia de bijuterias.

Natural de Sinop (a 503 km de da capital), a jovem mudou para Cuiabá após se envolver em uma briga e chegou a ser internada no Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho por conta de uma depressão pós-parto.

Ela e João vivem na Arena Pantanal há um ano, mas quando questionados sobre como se conheceram, eles fazem piada e relatam uma fuga pelo vaso sanitário da instituição.

A vida em situação de rua não emociona mais Estefani, mas falar da filha é o ponto fraco da jovem.

“Com 16 anos eu era casada e tive uma filha, mas minha mãe não me deixa mais ver a menina.

Elas me visitaram uma vez no Adauto Botelho e a criança me estranhou”, lembrou, com os olhos marejados.

Com vários hematomas pelo corpo, Estefani continua exibindo as bijuterias enquanto, entre devaneios e brincadeiras, fala sobre sua história.

“Sinto muita dor quando engravido e perco as crianças. Já engravidei algumas vezes desde que vivo na rua”, disse, relatando um aborto recente que sofreu.

Companheiro da jovem, João vive em situação de rua há sete anos. Antes de dividir o vão da passarela com Estefani, trabalhava como eletricista. Foi impedido de exercer a profissão após sofrer uma descarga elétrica.

“Perdi os dentes e uma parte do movimento da mão direita. Depois fui diagnosticado com esquizofrenia e nunca mais consegui trabalhar”, lembrou.

Além do vício em pasta-base, o homem de olhar sereno também precisa de remédios controlados que costuma pegar em um posto de saúde próximo ao estádio.

Estefani, que também afirmou ter problemas psicológicos, vez ou outra precisa usar os calmantes de João.

“Meu sonho é ganhar na loteria e sair desse lugar. Vou levar ela [Estefani] comigo”, encerrou João.

Abandono

Cinco anos depois da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, as obras na Arena Pantanal, que foi construída para sediar quatro jogos do mundial, seguem sem conclusão.

No total, a construção do complexo custou aos cofres públicos R$ 628 milhões. Em 2018, a Seduc destinou, por mês, R$ 400 mil para manutenção e reparos.

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